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Promotor de vendas e repositor: roteiro de lojas e jornada

Art. 62, I da CLT e o ônus de provar a impossibilidade de controle

André Figueiredo Romero · 2 min de leitura

O promotor e o repositor trabalham em roteiro de lojas definido pela empresa, com quantidade de visitas por dia, tempo previsto em cada ponto e, quase sempre, obrigação de registrar a gôndola por foto dentro de um aplicativo. Esse conjunto é o que se examina quando a empresa sustenta que a jornada não podia ser controlada.

O que o roteiro e o aplicativo demonstram

O roteiro define onde estar e em que ordem. O aplicativo registra a chegada, a execução e a saída de cada loja, muitas vezes com data, horário e localização.

O registro fotográfico acrescenta um elemento próprio desta função: ele marca o momento exato em que o trabalho foi executado.

O Tribunal Superior do Trabalho firmou, com efeito vinculante, que cabe ao empregador comprovar a impossibilidade de controle da jornada externa, e não ao trabalhador provar o contrário.

Questões que costumam aparecer junto

Tempo de deslocamento entre lojas e a exigência de comparecer à base antes ou depois do roteiro.

Trabalho em datas de maior movimento, com jornada estendida e sem registro.

Esforço físico na reposição, com repercussão na coluna e nos ombros, que pode configurar doença relacionada ao trabalho.

Despesas de transporte e alimentação suportadas pelo empregado.

Documentos a reunir

Roteiro de lojas
Rotina definida pela empresa
Registros e fotos no aplicativo, com data e horário
Momento efetivo da execução
Relatórios de visita
Sequência e duração do dia
Mensagens de cobrança e de convocação
Acompanhamento ao longo do dia
CTPS e ficha de registro
Anotação da condição de trabalho externo
Atestados e exames, se houver
Repercussão na saúde

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Perguntas frequentes

A empresa diz que sou externo. Perco as horas extras?

Não automaticamente. A exceção legal exige atividade incompatível com a fixação de horário, e a demonstração dessa incompatibilidade cabe ao empregador, conforme o Tema 73 do TST.

Tenho roteiro de lojas definido pela empresa. Isso ajuda?

Ajuda. Roteiro fixado, número de visitas por dia e tempo previsto em cada ponto são elementos que apontam para a possibilidade de controle da jornada.

Preciso fotografar a gôndola no aplicativo. Isso prova algo?

O registro com data e hora dentro de aplicativo corporativo é um dos elementos mais relevantes, porque documenta onde o promotor estava e em que momento.

Nunca bati ponto. Como comprovo a jornada?

Registros do aplicativo, roteiros, relatórios de visita, mensagens de coordenação, notas de entrada em lojas e prova testemunhal costumam ser examinados em conjunto.

Fico em uma loja fixa. Muda alguma coisa?

Muda. A permanência em ponto fixo enfraquece a alegação de incompatibilidade com o controle de horário.

Recebo comissão além do salário. Isso repercute?

Comissão habitual costuma integrar a remuneração para efeito de férias, décimo terceiro, FGTS, aviso prévio e descanso semanal remunerado.

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